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Lembramos Do Joaquim!

01.03.10

Por André Apone    

No último dia 21/12, aconteceu no ginásio do Maracanãzinho no Rio de Janeiro, o Prêmio Brasil Olímpico 2009.

A idéia foi de premiar os melhores atletas brasileiros do ano em diversas modalidades esportivas, além de lembrar os ídolos do passado. Particularmente falando, existiu uma premiação em especial nesta cerimônia; o Troféu Adhemar Ferreira Da Silva. Para quem não sabe, Adhemar Ferreira Da Silva foi um atleta brasileiro bicampeão olímpico em 1952 e 1956 na modalidade de salto triplo, e esse troféu foi criado pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) em 2001, como forma de homenagear atletas e ex-atletas que representem os valores éticos, esportivos e morais que marcaram a trajetória do esporte nacional.

Desta vez quem recebeu o prêmio foi o campeão olímpico nos 800m em 1984, Joaquim Cruz. Justa homenagem! Em nossa cultura é recente o costume de lembrarmo-nos dos nossos ídolos. Isto acontecia mais em homenagens póstumas, isto é, muitas entidades esportivas só lembravam-se daqueles que trouxeram alegrias para o nosso país ou para uma determinada torcida após a morte do atleta em questão, e isso é muito triste! Não valorizar os ídolos do passado é o mesmo que não incentivar o esporte no presente e a sua perspectiva de sucesso no futuro.

A vitória de Joaquim Cruz em Los Angeles-EUA, foi a primeira conseguida por um atleta brasileiro em pistas de velocidade. De lá pra cá, a história já se repetiu algumas vezes, porém a imagem de Cruz correndo na pista dos 800m com lágrimas nos olhos e carregando uma pequenina bandeira brasileira em umas das mãos, é muito viva em minha memória. Nesta competição, o atleta brasileiro superou o então campeão mundial e favorito a medalha de ouro olímpica, o americano Sebastian Cole. Quatro anos depois, Joaquim Cruz conquistou na mesma modalidade outra medalha olímpica, porém a não menos expressiva medalha de prata.

Nascido no estado do Piauí, Joaquim Cruz teve uma infância muito difícil. Somente após, mudar-se para Tabatinga-DF com sua mãe e mais cinco irmãos, é que Joaquim conheceu o seu primeiro treinador no SESI daquela cidade. Cruz dedicou este prêmio a sua mãe, pela iniciativa, força e coragem que teve em cuidar de seis filhos sozinha, além de recomeçar a vida em um outro estado. Tem vez que me pergunto; quantos Joaquins não estão escondidos por este país a fora?  Quantas crianças com um potencial a ser descoberto não estão passando dificuldades ao invés de se descobrirem dentro de uma quadra, tatame, pista ou piscina olímpica?  É uma lástima imaginar tanta perda, porém também é uma maravilhosa história de amor ao esporte e de superação de vida o exemplo dado por Cruz, pois além das duas medalhas olímpicas descritas acima, ele também possui em seu currículo o bronze nos 800m no Mundial de Helsinque-83, e dois ouros nos 1500m nos Pans de Indianápolis-87 e Mar Del Plata-95. E isso tudo em uma época onde o esporte não era prestigiado.

Que o nosso país adquira mais história ao lembrarmo-nos das honras do passado, para que justamente, em 2016 a pressão por um ouro olímpico seja mais amena, porém não menos gloriosa.

Obrigado Joaquim Cruz!

Um caso sem fim

12.27.09

Por André Apone

Você se lembra do caso da MSI/Corinthians?

Aquela parceria que o Corinthians fez com os milionários russos? Pois bem, ela ainda corre secretamente na Justiça. Desta vez o juiz que julga o caso, o juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal, foi considerado suspeito e como consequência, terá que se afastar do caso. Tudo isto foi decretado pela desembargadora Cecília Mello, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região.

De acordo com os advogados que representam o iraniano Kia Joorabchian e o russo Boris Berezovski, De Sanctis teria perdido a imparcialidade para conduzir o processo. Um juiz substituto deve assumir o caso até que o TRF decida se De Sanctis é ou não suspeito. Em casos de afastamento, não cabe recurso, somente resta ao juiz esperar o veredicto final.

Para uma ilustração melhor do caso: A MSI chegou ao Corinthians no final de 2004 e trouxe ao clube reforços de peso para a disputa da temporada 2005, como os argentinos Mascherano e Carlitos Tevez e Roger, entre outros. Mesmo tendo conquistado o Campeonato Nacional em 2005, a parceira e o clube sempre tiveram uma relação recheada de conflitos, principalmente entre o então presidente corintiano, Alberto Dualib, e Kia Joorabchian, representante da MSI.

No final de 2007, período em que o time do Parque São Jorge caiu para a segunda divisão, a turbulência e caos financeiro instalado no clube era devastador, o Corinthians aproveitou o período e informou sua posição quanto à rescisão contratual entre as partes. Em nota o clube revelava também que pretendia cobrar da MSI valores que julga devido; calcula-se que a dívida gire em torno de R$ 60 milhões. O fato, que tomou proporções internacionais, levou dirigentes e empresários a serem processados pela Justiça Federal após denúncia do Ministério Público. Todos são acusados de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Já De Sanctis (juiz afastado), é o mesmo que foi estabelecido no tumultuado inquérito derivado da Operação Satiagraha, que investiga supostos crimes financeiros atribuídos ao banqueiro Daniel Dantas. A operação prendeu no ano passado o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, o ex-prefeito Celso Pitta e o investidor Naji Nahas. Todos mais tarde foram soltos.

Pergunto eu: quer saber qual serão os sabores de ambas as pizzas?